BRASIL, Sudeste, Mulher, de 15 a 19 anos

 

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.:. AMORA .:.



NÃO ESQUECE DE FECHAR A PORTA

Senta. Escuta. Arrume as armas. Deixe-as a seu lado. Prepare-se para briga. Escolha palavras. Pense códigos. Seja irônico. Não seja meu amigo. Esqueça que me conhece. Lide comigo com lidaria com qualquer uma. Como seria se não me conhece, se não gostasse de mim, de qualquer jeito que seja. Vamos para guerra, escute, me deixe falar, espere sua vez.
Ouça, este é o tiro inicial.
Tudo deixa de ser como sempre foi. Por hoje, por favor não seja assim tão indiferente. Saiba onde estão as palavras. Saiba quem é você para que eu procure alguma verdade nos seus olhos. Não seja assim como sempre, tão vazio. Não faça com que eu apaixone ainda mais pelo seu jeito vazio. Pela sua personalidade falha. Pela sua sempre boa maneira. Vamos, brigue. Revide, não me dê o controle da conversa. Me tire este que é o único controle que tenho desta relação platônica.
Deixemos a boa maneira na porta. Entre, sente-se. Sirva-se, há vinho na mesinha. Desculpa, se a garrafa está pela metade, mas não é fácil pensar em você por tanto tempo. Bebi, para ter coragem de te pedir isto. Não pedirei ainda. Vamos conversar, beber o resto desta garrafa e pegar mais algumas que estão guardadas.
Como esta tua vida? Poxa, bacana, procurar menininhas no orkut, visitar as crianças que poderiam ser suas irmãzinhas mas graça ao bom Deus, são só menininhas doidas pelos caras do colegial. Nossa, ela é mais velha, bacana, experiente. Talvez, ela te faça crescer. Minha amiga? Háá, tudo bem, vai lá cara.
Como vai a minha vida? Divido meus dias com esta meia garrafa de vinho, com meu rosto rosa, com minha saliva cada vez mais escassa, com minha mente enrolada, com brigas de maternal com minha mãe, com uma relação boa e vazia com meu pai, com meu sonho pelo jornalismo. Com programas empacados, com livros, textos e muita gente viva e morta irreal.
Como vai nós? Bem, em separado, mesmo porque nunca estivemos juntos. Bem, cada um com o seu momento. Tão bem, que chegou a hora das minhas verdades. Escuta, fica quieto, bebe e espera sua vez de falar.
Sentimentos misturaram-se pelo caminho. Você era só um garoto como qualquer outro, um amigo, uma incógnita, um mistério. Passou. O menino que beija minha amiga. Não mais. O menino que beijou minha amiga. Passou. O menino que beija outra amiga. Passou. O menino que beijou duas amigas. Um e-mail, o cara que me arrancou lágrimas. O amigo, a incógnita, o bonitinho que todas pagam pau. Passou. O cara que duma maneira racional não tem coragem de falar que tá dando em cima da ex de um ano do nosso MELHOR amigo, o cara que acabou com uma amizade (não isto não é tua responsabilidade, aliás obrigada foi bom descobrir quem é a pessoa antes que se passasse mais tempo e eu deposita-se ainda mais confiança). Você é o cara que minha razão quer esquecer e meu burro coração teima em por no rol dos meus pensamentos.
O cara pelo qual eu iria no fim do mundo secar lágrimas, pelo qual eu me dobraria em milhões para arrancar um sorriso. Pelo qual eu faria este mundo parar de girar.
Quieto. Continua bebendo. Não terminei. Me faz mais um favor, um único favor?
Me ajuda a te esquecer?
Levanta. Deixa a taça. Esquece o resto do vinho. Vai embora, deixa aqui o teu olhar. Não, não deixa nada. Vai embora.
Só não esquece de fechar a porta quando sair.


Escrito por Amora às 21h20
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EXAGERO

Preciso revirar meu ser. Procurar você e cometer uma loucura, ser pressa pela morte de alguém assim deve ser melhor do que te ter aqui, tão vivo. Preciso acabar com você devagar e dolorido. Sentir que teu ser se desagarra dos meus pensamentos. Tirar teu abrigo quente e confortável. Te jogar no mundo das ruas, te dar de presente a amiga,  para que ela deixe você como mais um brinquedo na estante dela, que você seja mais uma conquista qualquer.
Deixo, permito, abro mão de te levar comigo. Só não garanto ser a mesma, não garanto que tudo será igual. Com você sai certas verdades infantis, saem vontades, músicas, textos, pessoas, a amiga que te guardará na estante. E com tudo isto a confiança na humanidade e não é exagero, embora eu tenha uma habilidade especial para exageros.


Escrito por Amora às 20h40
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CADÊ ?

Sabe aquele dia em que nada parece encontrar lugar certo. Seus programas não dão certo. Seus amigos não estão certos. Sua vida de um jeito sem explicação esta errada. Errada, e sem muito o que fazer, já que não sei se existe certo. Se tem um jeito de destruir todos meus pensamentos. De diminuir a luta pela "perfeição".
Preciso sair no mundo e ver o dia se pôr. Preciso procurar a pureza impossível. Uma pureza que vive se pondo. Ou talvez, eu não precise de nada disto.
Preciso deixar para trás o mundo que me faz pensar. Encontrar um jeito de não pensar em nada, ser mais irresponsável, mais propensa a erros enormes e acertos em igual proporção. Preciso de você que nem sem quem é. Que não sei se existe. Não sei seu nome, não sei seu endereço, não sei sua idade. Só sei que você existe em algum lugar. E um dia, nem que eu encontre vários erros pelo meu caminho, que eu ache várias vezes que encontrei o que me faltava. Num destes erros, eu encontro você. E nem que pelo espaço de um instante, tudo vai sumir. Todos meus amigos vão desaparecer e só existirá eu e você e mais uma porção de gente que não sei o nome, que não conheço, que não conhecerei, porque neste instante só importa você.
E depois?! Depois, terei meus amigos de volta. E você continuará sendo meu erro constante.
Se é que você existe. E se você existe, cadê você? 



Escrito por Amora às 20h25
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Hoje pela primeira vez não senti um imediatismo de você. Não me fiz ser ouvida em questões de segundo só pela sua simples presença. Me permitir ser a mim antes de ter com você. Me permitir chegar ao fim daquilo que no momento me tirava ou me colocava junto a ti de maneira indireta. Terminei de ler o texto de alguém que assim como eu, senti um imediatismo chato. E tudo só me fez ver que você esta aqui mais do que gostaria que estivesse. Mas, vai saindo sem pedir licença.


Escrito por Amora às 23h07
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VIDA ROUBADA

Tinha simplesmente abandonado esta vida já batida e vagamente conhecida (oficio do mundo a alguns anos atrás), sou uma 'blogueira' aposentada. Só sei que nada, sei extinto e largado a seus arquivos. Por motivos não menos claros dos que direi agora. Fotolog, negócio legal, escrever e colocar uma foto que alimenta teu ego cabisbaixo por motivos que não vem ao caso. Orkut, bacana encontrar velhos conhecidos. Msn, um telefone mais barato, o qual minha mãe adora a existência mesmo que não saiba dela.
Uma noite de insônia. Três e meia da manhã. Orkut, fotolog e msn. Sem conexão. Alguém, que gostaria muito de saber quem, resolveu "brincar" com a tua vida. Divirta-se com o simpático limão que habita meu orkut. Com minha vazia lista do msn. Com tudo que você tirou de mim.
Parabéns e que Deus te dê o que fazer na vida nesta estúpida vida.

 



Escrito por Amora às 23h04
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