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.:. AMORA .:. Com que roupa, eu vou? Penso se será possível viver da escrita. Penso se uma palavra minha um dia valerá o sorriso ou a lágrima de alguém. Penso enquanto tiro dentre o pó meus livros e cds esquecidos. Relembro o que fui e vejo o quanto aquilo contribui para o que sou hoje.
Procuro por dentre o medo que me assola, textos inacabados. Eis que surge o começo deste, que ontem era o que aterrorizada. Venho com o amigo tempo percebendo que meus medos são rotativos, giram sem rumo, sem trajetória, nem para direita nem menos para esquerda, giram de maneira livre até que batem e voltam ao encontro do medo que assola hoje. Não é que de uma maneira chata, os meus medos e assuntos tem sido sempre os mesmos? Jornalismo. Dinheiro ou dinheiro nenhum. Vestibular. Orkut. YouTube [sim, eu sou nerd e estou viciada]. Música. Vida de quem 17 anos e daqui a 2 meses vai enfrentar a puta vida louca, só mais uma coisa. Com que roupa, eu vou? Escrito por Amora às 23h22 [ ] [ envie esta mensagem ] Saudades emoção. Saudades... Eu sou daquelas que precisam sofrer tudo de maneira plena. Chorar, passar dias intermináveis com olheiras profundas, com o chinelo a flip-flopear, o cabelo meio preso e meio solto, com os óculos dando descanso as minhas lentes que me ajudam a enxergar este mundo. Sofrer. E depois de maneira menos lúcida do que parece, continuar. Para um pouco mais a frente voltar a sofrer. Hoje, eu to engasgada com toda a porra do mundo acumulada na minha garganta. Com a porra que saiu de você, e que você tão mal soube soltar. Com as minhas entranhas cravadas de puro rancor. Com os olhos molhados pelo colírio que umedece meu olhar vazio. Não consigo dar ao mundo o que ele quer de mim. Não consigo dar as pessoas o que elas querem. Não consigo ser para ninguém o que hoje não posso ser para mim. E se hoje não posso ser nada, como poderei ser algo para alguém? Não é papo de depressivo. Embora a vontade de enfrentar o mundo lá fora seja cada vez mais escassa. Puta mundo louco da porra, o qual eu pareço não fazer parte. Ir para balada ouvir música ruim, de gente que acha que aquilo é o ápice, ouvir pessoas que acham que as tuas vidinhas em planos variados são o ápice. Pessoas que não sabem o que é ápice. O mesmíssimo barato de quem só procura no mundo um lugar pra parar. Desculpa, mas não é para mim não. Meus heróis estão ou foram presos por overdoses. Overdose de vida, overdose de cansaço, overdose do acordar consigo e dormir com um alguém descaracterizado. As vezes acho que meu lugar é uma rua da paulista, meus amigos deveriam ser todos aqueles que eu ainda não conheci. Mas, sinto que assim que conhece-los eles serão só mais um passante na minha vida gélida. Não encontro nos meus muitos sorrisos a verdade que tento passar. Não encontro nas palavras a convicção que tento dar. Não encontro no vazio o lugar onde quero estar. Tudo era tão bom que eu não poderia saber o quanto. Saudades emoção. Saudades. Escrito por Amora às 21h49 [ ] [ envie esta mensagem ] Thank you Queria acordar agora, ir procurar o mar. Atravessar o horizonte. Encontrar coisas realmente grandes com as quais me preocupar. Fugir do marasmo, esquecer que tenho uma rotina enfadonha e sou obrigada a manter. Esquecer que por algum tempo, estou afundada em tédio. Procurando lugar para respirar. Procurando o ar que você me tomou com suas verdades impostas. Com a sua vontade ridícula de ser mais do que se é. A sua maneira divertida de não ser nada, enquanto tenta em vão ser tudo. Tento por dentre o meu pouco caso, achar o caso que termina tudo isto de maneira dolorosa e fria. Por agora nada, é tudo que posso te dar. Sinto não aliviar o seu mal estar com palavras postas de maneira sangrenta sobre o seu ego inflado. Sinto aumentar a maledicência com o silencio que lhe é de grande grado. Não sei uivar, não aprendi, esqueci de pedir aos meus, para me ensinar que muito é nada quando não se acredita que valha a pena. Já não vale manter as aparências. Não importa se sentes assim como eu, não importa se valho mais do que você. Nunca se esqueça, sou melhor porque não saberia ser pior do que você. O esforço não me pedi em palavras para ser visto. A vida não me pedi em lágrimas para acalmar os sentimentos de alguém. O sono me encobre com um manto negro que sinto falta. Sono bom, que me é escasso. Insônia que trava comigo uma briga de letras. Música que nada diz sobre o que é de verdade. Verdade que não existe, porque verdade nada mais é do que aquilo que queremos fazer com o que o outro acredite. Nada mais é do que a invenção pura e sórdida de alguém que esqueceu de inventar culpados. Deixo porque não saberia viver com a tua presença. Não ouço porque já não há o que falar. Não falo porque já que não há mais o que falar. Escrevo, pois só assim tudo chega ao fim. Chorei e se hoje já não choro mais, é porque o vazio me faz companhia. Obrigada ao vazio. Escrito por Amora às 14h45 [ ] [ envie esta mensagem ] Where baby? Por muito tempo, eu quis que você fosse o meu maior problema. Durante muito tempo, eu te quis como a quem quer como uma necessidade. Durante muito tempo eu fui por você o que eu jamais seria por ninguém. Durante muito tempo acordei, e pensei que por mais um dia, eu seria eu. E por mais um dia você seria você em separado, mas dali a algum tempo seriamos um só. Durante muito tempo, tudo foi muito tempo. Hoje, acordo com a necessidade de gritar aos 7 ventos que já não importa o seu olhar vago, a sua consciência infantil, a tua cara que nada diz. Não importa que você existe e não esta aqui. Mas, se você existe aonde esta? Escrito por Amora às 14h24 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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