BRASIL, Sudeste, Mulher, de 15 a 19 anos

 

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.:. AMORA .:.



Gatos

Queria colocar a vida numa garrafa e beber tudo de uma vez. Ter alucinações dos excessos. Saborear o necessário. Colocar para fora o que de amargo tiver.
O mar, como faz falta o mar. Ele me diz tanta coisa numa fala mansa e silenciosa. Olhar aquela imensidão que esconde tanta vida, me mostra que você tá escondido na garrafa que gostaria de beber.
Queria saber seu nome. Descobrir seu endereço. Olhar seus olhos e ver que é neles que vou passar uma grande temporada de calmaria. Mesmo que grande para mim signifique dois dias, dois dias em que eu seria a mulher mais feliz do mundo. Um dia que seja. Algumas horas, horas onde seus braços me encobrem do mundo. Sua boca me dê verdades que duram só até o nascer do sol.
Onde emprestam alegria de verdade? Brincar de ser feliz esconde a tristeza. Diminui o vazio e preenche lacunas. O buraco é tão grande que eu já não sei por quanto tempo o esparadrapo segura as pontas. Tenho medo de viver o hoje sem pensar no ontem sujo. Não consigo acreditar que tantas coisas boas aconteçam juntas só porque já é hora de acontecerem coisas boas. Vivo pensando e esperando o próximo buraco, como se tivesse vivendo milimetricamente num campo minado.
São tantos sentimentos e idéias enroladas dispostos como novelos de lã numa caixinha de costura. O único problema é que os gatos estão por demais ocupados procurando ratos que não ajudam a desenrolar numa bagunçada descompassada os novelos.
Sem gatos, sem linha, sem ajuda, sem a tua palavra, sem a tua história. Com a metade de mim que teima em acreditar que no fim tudo da certo, saio por aí desenrolando vida. Fazendo pequenas paradas para ilusão..
Bem vinda a ilusão. De verdades inventadas é que é feita a vida.




ps: Feliz, texto no naselva dia 31.
E dentro do possível tudo vai indo.
ps: Tô com uma alergia filhadaputa. De alguma coisa filhadaputa que eu não sei o que. Coça pra diabo. Vá de ré coceira. X
ps: Quero mais show do Chico, quero mais porto, quero mais você e porque você não vem?


Escrito por Amora às 00h11
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Saudades emoção. Saudades...


Eu sou daquelas que precisam sofrer tudo de maneira plena. Chorar, passar dias intermináveis com olheiras profundas, com o chinelo a flip-flopear, o cabelo meio preso e meio solto, com os óculos dando descanso as minhas lentes que me ajudam a enxergar este mundo.
Sofrer. E depois de maneira menos lúcida do que parece, continuar. Para um pouco mais a frente voltar a sofrer.
Hoje, eu to engasgada com toda a porra do mundo acumulada na minha garganta. Com a porra que saiu de você, e que você tão mal soube soltar. Com as minhas entranhas cravadas de puro rancor. Com os olhos molhados pelo colírio que umedece meu olhar vazio.
Não consigo dar ao mundo o que ele quer de mim. Não consigo dar as pessoas o que elas querem. Não consigo ser para ninguém o que hoje não posso ser para mim. E se hoje não posso ser nada, como poderei ser algo para alguém?
Não é papo de depressivo. Embora a vontade de enfrentar o mundo lá fora seja cada vez mais escassa. Puta mundo louco da porra, o qual eu pareço não fazer parte. Ir para balada ouvir música ruim, de gente que acha que aquilo é o ápice, ouvir pessoas que acham que as tuas vidinhas em planos variados são o ápice. Pessoas que não sabem o que é ápice. O mesmíssimo barato de quem só procura no mundo um lugar pra parar. Desculpa, mas não é para mim não.
Meus heróis estão ou foram presos por overdoses. Overdose de vida, overdose de cansaço, overdose do acordar consigo e dormir com um alguém descaracterizado.
As vezes acho que meu lugar é uma rua da paulista, meus amigos deveriam ser todos aqueles que eu ainda não conheci. Mas, sinto que assim que conhece-los eles serão só mais um passante na minha vida gélida.
Não encontro nos meus muitos sorrisos a verdade que tento passar. Não encontro nas palavras a convicção que tento dar. Não encontro no vazio o lugar onde quero estar.
Tudo era tão bom que eu não poderia saber o quanto. Saudades emoção. Saudades.



Escrito por Amora às 21h21
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Confused... Now or never? Maybe, after...

Sinto como quem bebeu  tudo de uma vez. Quem engoliu o mundo e agora teima com uma indigestão, sem estomazil que dê jeito. Engoli possibilidades e fico agora a remoe-las, numa confusão mental que não há o que dê jeito.
Não sei esperar, nunca soube. Vivo de uma imediatalismo chato. Pau o pedra. Vai ou racha. O MEU tempo. A MINHA vontade. Primeira pessoa. Não aprendi a dividir a vida. Nunca soube usar as palavras bem, feri quando não queria, acariciei quando queria punir, chorei quando queria sorrir, mas acima de tudo jamais calei quando quis calar.
Queria sair por aí tatuando o mundo nas costas. Cravando em mim gostos, pessoas, palavras, viver de maneira passional, sentir o vento no rosto e quando virar não sentir falta de ninguém.
Jamais beijarei alguém pensando em outro. O outro provavelmente não pensa em mim. Então, decidi beijaria pensando em quem tô beijando. Pensando no quanto ele não é você, babe. Mesmo que ele seja melhor e porque não? Mas ele não é você, babe. E quem diria que eu escreveria isto para você, babe? E deixaria você saber se lesse, porque o babe é seu, só seu ao menos por enquanto. Porque eu continuo não sendo de ninguém por muito tempo. O difícil já teve mais graça do que agora. A vontade de deixar que você venha até mim, se desvencilha num abraço que faz tudo parar, porque meu mundo pára quando eu estou nos teus braços, e quem diria babe? E quem diria que eu deixaria tudo acontecer tão rápido dentro de mim, sem saber o que acontece aí.
Você soube de mim, antes que eu pudesse se quer dizer. A música nos ligou e para mim não existe elo maior. Ver o ipod, encontrar tom Jobim e Chico Buarque foi uma regalia que jamais pensei achar. Era mais do que só um mero cara, era o cara que ouve Chico, o cara que eu falei assim sem querer. E ainda mais sem querer, não soube me fazer esperar.
Tava tudo tão bom. Que acho que já não dá pra voltar. Embora eu queria. Não sei lidar com as palavras e talvez pela primeira vez, deixe o silencio preencher este vazio.
Confusa. Agora ou nunca? Talvez, depois. Quem sabe?
Só uma coisa, o tempo agora é seu. Porque o meu sempre fica em palavras. Em textos que tiram a agonia. E lá se foi mais um.


Escrito por Amora às 22h06
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Roda

Cheguei agora de perto da vida que muitos queriam ter. Era longe, suja vazia e divertida. Frágil como algo que dura o suficiente para ser inesquecível e só. Prazos, validades, horários, regulamento. Vida regrada como para quem não sabe o que isto significa.
Corri pela praia como quem procura uma vida que se perdeu, areia grudada, amigos sentados beira mar juntos ao vinho. O vinho me fazia achar que tinha achado o que procurava. E todas as vezes que o vinho me encontrava a sensação voltava, mais forte mais precisa e mais ilusória. A ilusão de quem vive se embebedando pra procurar uma verdade impossível, uma verdade que vive se pondo. Uma pessoa que vive por aí, tão dentro de si que fica difícil se colocar numa posição confortável. Será que eu já fui isto pra alguém? O que será isto? Eu realmente não entendo, confusa como uma criança de 5 anos brincando com o cubo mágico.
Tudo esta misturado, cada cor é uma parte da minha vida e eu vou tentando arrumar um lado esquecendo o outro, porque eu sou uma criança que vive cada lado de uma vez, que esquece que não necessariamente as cores tem encaixe perfeito no fim.
Vivo sempre procurando o fim e com uma vontade enorme que ele não chegue.
Vivo num liga e desliga eterno. Numa roda viva.
E que rode a roda até que eu canse demais dela, e mude, só que de direção.


Escrito por Amora às 21h24
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