BRASIL, Sudeste, Mulher, de 15 a 19 anos

 

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.:. AMORA .:.



Em que esquina querer é poder?

Queria falar para você tudo que se passa aqui. Não consigo, tenho medo de você não entender minhas palavras. E de botar tudo a perder para sempre, mesmo que o para sempre seja muito tempo. Não estou preparada para não te ter mais no meu rol de pensamentos. Você que entrou aqui tão de repente, impregnou como limo em paredes sujas de poços velhos e sem uso.
Te dei o que não queria dar a ninguém. Te dei o que roubaram de mim, e o que jurei não dar a ninguém. Te dei sem querer, o que eu queria ter. Te dei e fiquei sem. Sem o meu e sem o seu.
Deito ouvindo a música que me lembra você. Faço do meu travesseiro meu confidente e confesso a ele tudo que queria te dizer. Faço dos meus amigos meu público e saio por aí fazendo piada do que queria chorar.
Já não choro mais, porque a vontade secou na última vez que eu quebrei a cara. Na última vez que dei o que não deveria dar a ninguém. Chorei tanto que já não consigo mais.
Errei por excessos. Agora sinto errar por prender demais, prendo em mim as conversas que gostaria de ter. As palavras que gostaria de dizer. As vezes que gostaria de te olhar nos olhos.
Não consigo te olhar nos olhos, sinto que eles falam mais do que eu quero que você saiba. Controlo minhas palavras, atitudes, gestos, mas o olhar não dá. Não dá para segurar a onda, não tá dando mais.
E eu não vou solta-la. Vou parar na praia e olhar o mar. Até o dia que ache outro alguém que sente ao meu lado, segure minha mão e sem me olhar nos olhos diga tudo que eu preciso ouvir.
Alguém que goste de tudo que eu gosto, mas não me deixe falar tanto. Alguém que tenha visto todos os filmes que vi e tantos outros que passará tardes intermináveis falando que eu deveria ver tanta coisa pela janela. Alguém que tenha lido tantos livros que saiba todos os clichês do mundo. Alguém que ache todos eles em mim, mas finja que eu sou única. Que minhas histórias são únicas. Que minhas verdades são únicas. Que meus vícios são únicos. Que meus medos são únicos.
Agora, me segure pela mão. Me leve para fora e diga que tudo isto foi um começo bom, num momento errado. Que eu não fui nada pra você, fui menos do que você foi pra mim e só. Que cada palavra minha não soa piegas como o que escuto. Cada gesto sem jeito, foi o jeito de mostrar que estava aqui.
E agora já não espero nada. Não espero você. Percebi que você não vem. Os homens já não me surpreendem mais.
Queria ser louca, louca e puta. E boa. Queria ser boa, boa menina, boa moça, mulher boa. Queria ser louca, mas louca eu sou. Não, não sou. Sou confusa, e isto não é mérito. É desgosto. Sinto o gosto do desgosto de gostar de quem não gosta de mim. Queria ainda assim ser boa. O mundo é dos bons, e quem não é bom ainda assim tá no mundo. Mundo filhadaputa, mundo mudo. Sem você, sem grito, sem choro e sem vela. E eu sou chorona. Bixa e chorona.
Queria o ontem. O mês passado. Queria a noite de amanhã só que um mês atrás. Queria um mês atrás. Queria voltar no tempo e não ter começado isto. E não ter visto você. E não ter ouvido nunca strokes, arctic monkeys, subways e esta merda toda que me aproximou de você. Ou que te aproximou de mim, porque eu ouvi esta merda toda antes. Antes porque eu já tinha amigos que tem bom gosto. Queria ser menos confusa e idiota. Queria ser louca e puta.
Queria, em que esquina querer é poder?


Escrito por Amora às 22h43
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Perdi prayboy!

Queria não escrever, assim como queria não ligar. Mas ligo e se não escrever sufoco. Morro, roxa com meu desespero em falar. Não adianta gritar, não ajuda ligar. Não tem o que conversar, não se tem muito o que discutir com o que nem chegou a ser.
Foi, começou e terminou da mesma maneira. E quem disse que eu queria que tivesse terminado? E quem disse?
E quem disse que eu pude evitar?
Perdi praybloy, perdi pRayboy!
E quem disse que eu quero falar mais?

Citando Clarice Lispector: " (..) Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras (..)"


Escrito por Amora às 22h09
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0,1 porcento

O que fazer quando você acha 99,9 da população mundial intragável. Quando o cigarro é intragável. Quando a bebida pedi um tempo pra pensar sozinha. Quando os amigos vão se indo e você ficando.
Nunca sei quando é a hora de fazer alguma coisa. Saio por aí fazendo coisas, todo o tempo, estragando, construindo, acabando, começando vidas que teimo em não deixar em paz.
Não me sinto a vontade com o mundo, ele me encabula eu encabulo ele e juntos cabulamos todas as aulas de adaptação. Fingir que sou alegre apaga minha tristeza. Ela existe, tá aqui guardada com vários restos, junto com o seu resto. Guardo com carinho os seus restos porque é chegada a hora de plantar coisas e lá se vai você adubar a terra, já que seus restos já não podem mais gerar frutos é como a merda, um bom adubo natural.
Divido meus dias em remoer o passado e sonhar com o futuro. O agora vai como um dia que chega após o outro. Vou rindo das minhas desgraças. Me iludindo com pessoas que chegam e saem com a mesma facilidade, sem pedir licença.
Confusa, vou levando meus dias entre pensamentos e ações impensadas. Entre amigos e colegas. Entre vida e morte. 
Tenho medo da vida de adulto. E ao mesmo tempo pressa em chegar ao conforto da idade.  Ser feliz como quem bebe da mesma água todo dia e sabe que ela sempre estará ali, de maneira regrada.
Votar, é um passo para vida adulta. Era daquelas crianças que iam votar com  o pai desde pequenininha e ficava pensando quando seria minha vez. Me imaginava adulta, independente [desde criancinha], com um namorado bacana. Não sou adulta, voto e não tenho namorado. E a cada dia que passa e chega mais perto dos meus 18 anos percebo que as coisas não estão como esperava.
Contudo, ainda acho 99,9% da população intragável.

E os outros 0,1% são meus amigos. Tô bem servida. ; )

É amanhã o texto no naselva.
Vai tá aí, olhem:
http://civilizados.naselva.com

Beijo pro 0,1% tragável!




Escrito por Amora às 08h59
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