BRASIL, Sudeste, Mulher, de 15 a 19 anos

 

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.:. AMORA .:.



Confusão. Sal e Baralho!

Será que existe um lugar para mim neste mundo. Onde eu possa sentar e esperar a paz.
Meus movimentos são todos muito rápidos como quem tem uma pressa exagerada em viver. Meus pensamentos são muitos e aglomerados, tá cada dia mais difícil organizar isto aqui.
Não sou nada, ainda. Por outro lado não sei o que serei quando engolir o ainda. Cansada das pessoas. Cansada de tudo isto aqui, mais ou menos.
Enjoada deste jogo que não sei jogar muito bem.
É cada dia fica mais difícil saber quem sou. Fica mais difícil identificar o que sou eu, e o que é o meio. Sou como o sal sendo misturado na água, difícil de dissolver, insolúvel diria. Mas um hora depois de alguma insistência é quase impossível a olho nu saber o que é água e o que é sal.
Gosto cada vez de metáforas ridículas que nada são além de palavras tentando significar mas do que significam. Porque eu sou assim, uma adolescente perdida tentando ser mais do que a minha insignificância me permite. Indo além do que me convém. Falando sempre mais e calando menos, sempre menos. Rindo mais e chorando menos. Sendo mais dura e mais paciente. Mais paciente, porque eu sei que nada termina até que chegue o fim. E o fim sou eu quem dou.
Sou o cara que dá as cartas numa partida de pocker. Sou eu quem mando na minha estúpida vida e sou eu que descarto ou recolho pessoas para colocar no meu jogo, porque este é meu jogo.
Jogo que aceito a presença de poucos e selecionadas pessoas. E que junto cartas que vão ficando caídas e carregando com a saudades.
Saio andando com meus baralhos, e se te esqueci pelo mundo. Não foi por acaso, nada é por acaso.


Escrito por Amora às 13h30
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